"A natureza não é apenas aristocrática, ela também é esotérica. No entanto, nenhum homem sábio será induzido a fazer do que sabe um segredo, pois percebe muito bem que o segredo do desenvolvimento psíquico nunca pode ser traído, simplesmente porque o desenvolvimento é uma questão de capacidade individual". Jung em "O desenvolvimento da personalidade" Obras completas,v.XVII
terça-feira, 30 de março de 2010
Feira das Vaidades: você tem fome do que?
Foi saindo de umas das danceterias mais caras, renomadas de São Paulo e rodeada de pessoas com alto poder aquisitivo (o valor da entrada serve de passaporte para a determinação desse papel), que me deparei com o título desse texto: feira das vaidades.
Tudo lá parecia tão fechado, tão decorado, tão bem arquitetado e tão repleta de cópias, que não me contive em compará-la com capas de revistas, outdoors e propagandas, sobretudo aquelas femininas de beleza (afinal, é da beleza, do encanto e do fascínio, que estamos falando)
O que nos oferece nossa mídia atual? Fome! E é fome de que? É com essa pergunta que me debruço sobre um tema que há tempos venho pensando e estudando.
A beleza de hoje esta marcada pelas dietas, por mulheres magras, pelos cabelos hidratados, das roupas do momento, e, sobretudo do corpo, indo ainda mais longe, ao corpo exposto.
Definitivamente é a vez dele. Não é a toa que os transtornos alimentares e de imagem corporal se fazem cada vez mais presentes nos consultórios de analistas, ou até mesmo, porque não dizer, ganhando cada vez mais seguidores fiéis das Anas e Mias (nossa “amiga” anorexia e bulimia).
Há ainda que se olhar o corpo como rascunho, servindo-se de fio terra, onde passam todos os gozos sob formas de mutilações, “body modification”, os cortes cirúrgicos da plástica e, claro, a grande vitrine que ele se tornou como forma de alcance do aperfeiçoamento social e moral.
“Freguesia, quer um botox aí?!”. “Venha, é baratinho! Olha o siliconeeee aííí!!!!”. “Mulher bonita não paga, mas também não leva, e, portanto, não posa nua Playboy!” “Olha o anabolizante ai gente!!!!”. Nesse ponto, devo considerar a multiplicação frenética de verdadeiras marcas que fazem parte do que somos agora, mas ainda não sabemos nos virar (salve “Paralamas”).
A famosa repercussão do Big Brother, por exemplo, não me deixa escapar desse culto ao corpo – o corpo como vitrine e exposição. O cuidar-se tornou– se um dever moral e o fracasso se deve puro e simplesmente à incapacidade individual.
Creio que a forma do produto é muito mais interessante do que qualquer ingrediente que venha dentro dele. Reparem até mesmo nos estilos de bandas musicais atuais (e nesse ponto devo ser retrógrada) - as bandas de rock, por exemplo, parecem se preocupar muito mais com as franjas lambidas do que com a importância das palavras geniais que se faziam presentes em movimentos ideomáticas, sobretudo, nos anos 70 e 80 no Brasil.
Afinal que fome é essa? Fome de magro? Do nada, do não, daquilo que nutre, do vazio? Ou será justamente ao contrário? É a fome do gordo e da gula? Do tudo, da expressão e exposição do corpo, do carro, do vestido, da bolsa, do passaporte da balada? Me parece que seja os prazeres ou desprazeres da vida, se tornam cada vez mais funilados.
A resposta desse enigma que se conjuga da seguinte forma: “ter é melhor que ser", ainda é difícil de encontrar, enquanto isso, como ser humano que sou e herdeira dos Homo sapiens, (taxonomicamente Homo sapiens - latim: "homem sábio") em terras tupiniquins, penso que na maioria das vezes, quando estamos com fome, a gente come (salvo as “guerreiras” magrelas) e se as frutas do momento viram essa salada do corpo, não somos santos, vamos todos às feiras e provamos sempre desses sabores da vaidade, feito Adão e Eva no jardim do paraíso.
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