segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A dor da separação


Por que é tão difícil e dolorosa uma separação afetiva?!

Venho me debruçando sobre o tema, não como pesquisadora,mas como uma mulher quase aos 30 anos, experimentando uma separação.

Como dói a dor de um luto enquanto vivos. Se alguém morre, nada está ao nosso alcance, a não ser nossos "religares" e nossos encontros espirituais, ainda que não para todos.  Mas como fazer morrer alguém que ainda vive em você, e pior, vive melhor ainda longe de você!? 

Como é ter de arrancar aos berros, aos choros, a força e a violência um lugar em que morava sonhos, fantasias e desejos? Como é ter que se livrar de todas os seu lances, suas flechas, sobretudo, a ponte que você mesmo construiu até o outro em um abismo de sentimentos? Como é ter que encarar seu ego agora, rejeitado, agora sem saída, agora e só por agora, em uma tristeza quase convulsiva?

Sabemos que a dor passa. Sabemos que existem desencontros. Acreditamos ainda que não somos tão donos da vida, e por sorte ou por azar, a vida é que nos tem, e nesse caso, nada é acaso. Pois bem, ainda sim, uma dúvida: Por que as relações acabam e porque dói tanto?

Antes de amar, surge a paixão. A paixão é projetiva. Lançamos nós mesmos no outro. Amamos no outro, aquilo que nos falta, aquilo que nos tem, aquilo que nos afeta. É um giorgio de passarinho bem pertinho do ego, que fica lhe dizendo a toda hora que você é amado, aceito e querido. Amar é diferente. Passamos então a outro estágio. Aqui as coisas podem mudar. Já não tem mais criações, projeções, idealizações. O amor me parece mais consistente, mais algo próximo do divino em cada um de nós, é uma entrega menos idealizada e inconsequente, ao contrário, amar é de fato, consequência incondicional.

Acontece porém, que seres humanos tais como somos, ainda careçam dessa centelha divina do saber amar incondicionalmente, do saber,antes de mais nada, se entregar. "O que eu faço para ter segurança na relação? O que eu necessito em uma relação? Como fazer o outro gostar de mim"? Perguntas de ego, perguntas que estão carregadas nos consultórios.Perguntas de seres humanos. Grande bobagem! Querer segurança, gera mais insegurança, afinal, será que temos mesmo segurança na vida? Oras, o que você precisa, me parece que é ser menos controlador com o outro, e talvez, menos narcísico. Será que antes, meu caro, você não deva se perguntar primeiro se você gosta de você mesmo, antes que a dúvida sua, passe a ser a do outro também?

Parafraseando a Dr. Clarissa Pinkola Estés, no querido livro: Mulheres que Correm com os Lobos, descobri que muitas pessoas talvez, e aqui, incluo, sobretudo os homens, não saibam amar a natureza primitiva da mulher, não insistem em voltar para tentar entender  não se deixando dissuadir. Quem não é atraído por novas idéias, não conseguirá passar do marco de estrada junto ao qual talvez, alguém do outro lado está descansando agora.