quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Homossexualidade: o mito renegado


O sujeito cartesiano, o sujeito da ciência patologiza. Com todo respeito à psicanálise e aos psicanalistas, a peste Freudiana (como ele se referia a sua descoberta) diante da sexualidade, neuroses, perversões e psicose declarou que a bissexualidade é inata e, que deste forma, portanto, o homem se torna heterossexual ou homossexual. Nessa condição, a homossexualidade apareceria como uma condição patológica. Mas será que essa Freud explica?

Jung pouco escreveu sobre o tema da homossexualidade, mas sabemos e muito das suas teorias a respeito do lado feminino e masculino (anima, animus) que atravessam e armadilham o inconsciente. Homem e mulher, dessa forma, carregam consigo a feminilidade e a masculinidade inconsciente e destarte, uma incompletude inata.

A busca pelo sexo oposto, pode ser, então, uma suposição de completude, entretanto, diante da clinica e das tantas manifestações do vir- a ser no mundo, é senão fácil, muito claro compreender que o que completa cada um, pode ser muito diferente.

Já que estamos no terreno das incompletudes, nada mais justo do que pensar nelas como caminho para individuação, e, portanto, pensar na homossexualidade também é reconhecer um caminho trilhado para se chegar em um fim. Se para Freud nascemos bissexuais, para Jung, nascemos incompletos na vasta direção da totalidade.

Existe um mito curioso que pretendo apenas citar. Nele, o ser humano aparece único, feito do lado masculino e feminino, mas que um dia se parte para ser tornar vários deuses, todavia, o ser humano esquece de perceber que por ser homem, é incompleto, não conseguindo então, se manter dividido É no embrião desse mito que parte a idéia do arquétipo do andrógino. Você já viu um andróide? Quem sabe então um andrógino? Aposto que não! Como aposto também que já ouviu falar desses termos!

Essa idéia é tão presente e tão fantasmática que um dia desses, escutei na televisão a nova moda dos salões de beleza: as cabeleiras nem homem, nem mulher, mas com um só conceito: a idéia do cabelo andrógino. O andrógino é justamente essa figura nem homem nem mulher, e talvez por essa mesma razão, seja uma figura estranha, constituída dos dois lados (como citado no mito à cima).

Portanto, se a humanidade já pensou nessa possibilidade de existir no mundo (o andrógino) e se disso já se surgiu um mito, é porque tem uma base arquetípica.

Jung sustentou no arquétipo do andrógino que a homossexualidade é uma possibilidade enfim, livre da patologia, indo ainda mais longe, pode vir fadada de algo saudável, isso se bem integrada no individuo na trilha da alma e do sentido da vida.

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