quarta-feira, 18 de maio de 2011

O símbolo e o mergulho


Jung acreditava que a finalidade de um símbolo era mudar a energia psíquica (ou libído) de um nível para o outro, apontando o caminho em direção ao vasto desenvolvimento humano.

Pois então, os símbolos se enchem de vivacidades capazes de dar significados e atuar como transformadores da energia psíquica (pense energia psíquica como um fluído que regride para o mundo interior ou se infla para fora). E que maravilha é saber quando ela regride- Jung considerava a regressão, como potencialmente adaptadora e indispensável à cura quando bem sucedida (essa “descida” é o mergulho do qual falamos). É nesse mergulho (libido que regride) que surgem os símbolos.

Nesse caso, os símbolos nascem em um nível mágico e arcaico da psique, onde são então, potencialmente destrutivos, curativos e até mesmo proféticos.

Nessa dança da energia, caracterizando o fluxo da libido e a capacidade de regredir, particularmente de ir além dos conflitos, é um dos mecanismos de auto-regulação da psique.

Na literatura e na mitologia- é o retorno do sol do interior da noite. Quando então, nessa regressão (ou mergulho) se pode voltar, estamos diante da remissão ESPONTÂNEA da depressão e dos episódios psicóticos. Vamos então todos ao encontro dos seus símbolos ?!

É curioso,senão simbólico,a noção de que meu maior sonho é mergulhar de verdade. Acho que no plano simbólico isso também é indicativo de uma fase minha mais "regredida", na tentativa de buscar um baú de ouro nas profundezas e devaneios do meu mar.

O que é arquétipo?


Os arquétipos definem como nos relacionamos com o mundo: eles se manifestam como instintos e afetos, como imagens e os símbolos (tão recorrentes em nossos sonhos), na mitologia e nos padrões de comportamento e experiência. Eles refletem questões universais e o principal: preenchem a lacuna do nosso existir e a relação com o objeto. Na maioria das vezes, o arquétipo deve ser analisado de maneira simbólica pela nossa psique (mas também é verdade que pode de expressar de maneira real). Seja como for, o material arquetípico pode ser usado como potencial curador, amplificador, dando sentido a experiência pessoal na qual ele se insere.

Arquétipo é tudo aquilo que é o universal, são pensamentos, idéias, sentimentos, sendo assim ele nos orienta a experimentar a vida.Impulsionados por ele, fazemos escolhas, criamos, curamos ou envenenamos nós mesmos.

Exemplo: o Arquétipo da Grande Mãe. Esse arquétipo tem uma base instintiva, no sentido de que todos os seres humanos podem reconhecer o ato de ser mãe- aquela que cuida, a Grande Deusa, a Mãe Igreja, etc.

A natureza (arquétipo) e a influência do meio (experiência pessoal) são magicamente enredadas. Por isso, temos a experiência arquetípica da Grande Mãe, por exemplo, e a experiência sentida e vivida pela mãe de cada um (tais como a fantasia de que nossa mãe é uma bruxa ou um anjo).

Jung trata de arquétipo no livro: Os Arquétipos e o Inconsciente coletivo

Afinal, quem foi Jung ?????!!!!!! (breeeeeeeeeeeve histórico da sua vida em tópicos)

-Carl Gustav Jung foi um escritor prolífico

-Nasceu em 26 de Julho em Kesswil, no cantão de Turgóvia, Suíça

-Formou-se médico psiquiátrico em 1900

-Seu pai era pastor; recebera influência de sua prima de 15 (médium), participando de um grupo interessado na capacidade mediúnica- suas notas formarão base de sua tese subseqüente em 1902

-Entre 1856-1939: teve um importante encontro com Sigmund Freud, se defrontando com uma dúvida: será que a psicanálise poderia ser usada com o mesmo êxito com os pacientes psicóticos? ( grupo de maior interesse em seus estudos)

-1902: Publicação de sua tese, “Sobre a psicologia dos fenomenos chamados ocultos”. Ele antecipa aqui suas idéias posteriores, (a) o inconsciente é mais sensitivo que o consciente, (b) que o distúrbio psicológico tem um siginificado teleológico e (c) que o inconsciente produz material mitológico (explico tudo mais tarde) =)

-1903: Casa-se com Emma Rauschenbach (também autora de muitas obras analíticas)

-1910: nasce sua terceira filha, MARIANNE (tive que colocar essa parte!) =)

-Entre 1912 e 1913 as divergências com Freud começam a aparecer. Quais são elas: (a) a opinião de que a repressão não explica todas as condições; (b) que as imagens incosncientes podem ter um significado teleológico; e (c) a libído (energia psíquica), não é exclusivamente sexual. Em 1913 rompe definitivamente com Freud e passa por um período de esgotamento nervoso, durando aproximadamente até 1919

-Em 1920, já tinha considerável reputação internacional, durante os anos seguintes viajou muito, principalmente para visitar povos primitivos

-Até 1927 se interessa por alquimia chinesa e ocidental; uso cada vez maior de seminários

-Em 1931 já se têm publicado os postulados da psicologia analítica

-1957-1959: redige sua autobiografia

-6 de junho de 1961: morre em Küsnacht, à beira do lago de Zurique

OBS- Que fique claro que esse é um quadro muito breve da sua vida e não de suas obras que incluem muitas coisas. Postei as partes que considero mais importantes para esse blog.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O papel da cultura do desenvolvimento integral dos jovens


Hoje aproveito para postar um texto antigo no qual concorri uma disputada vaga como psicóloga na área educativa. Acredito nesse texto, simplesmente porque pensar cultura é pensar psicologia analítica.

Pensar o jovem na complexidade do mundo contemporâneo é se deparar com impasses, é entrar em uma roda viva de questões políticas, econômicas e sociais, totalizando assim a cultura.

A cultura se inscreve em dimensões simbólicas de uma sociedade, mais que isso, é a própria manifestação das expressões genuínas e desejantes de um povo. É ela que separa o ser humano dos demais animais, anunciando como e o que se insere dentro dela.

Se o indivíduo se inscreve no mundo através da linguagem, à medida que ele cresce, os pensamentos cognitivos vão dando os primeiros sinais. É na juventude, durante o esplendor das descobertas e na euforia das experiências que a cognição alcança seu auge. O jovem aspira e pensa no calor das transformações, necessárias para qualquer evolução e revolução.

Estamos diante do jovem, o ator principal no palco de suas relações. Neste espaço nada é possível se não houver a interação do conjunto de valores morais e intelectuais, que somente a cultura é capaz de agregar, bem como a audácia típica da juventude. Sobre essa combinação de forças é que o texto se propõe a discutir. Basta pensar agora nos cenários dessa trama, são eles os fatores centrais para a compreensão do desenvolvimento integral do jovem.

Como o jovem se desenvolve na educação e no trabalho? Como está a saúde do jovem e o jovem na saúde? A quem ele pede ajuda, a quem socorre? Afinal, onde está esse jovem embrutecido pelas ruas sangrentas e esperançoso diante de um país comprometido com a ascensão? Atribuir uma ordem que totaliza o mundo e ainda responda a essas perguntas são também funções da cultura.

Os jovens estão em territórios físicos e simbólicos, são das ruas, dos guetos, das comunidades virtuais, dos lares, dos espaços promissores e fracassados. Apesar das diversidades, há algo comum entre todos os espaços: a noção de algo estrutural das relações humanas, as trocas. De fato, sem a troca com o outro não há interação, se não há interação, não existe linguagem, e, portanto, não existe um campo capaz de compreensão, observação, classificação e união. Chegamos então à cultura.

A cultura agrega, seduz, faz pensar, encanta, deseja, anuncia e permite a criação de identidades. Apesar de seu aspecto cristalizado - o que permite o tom tradicional aos valores enraizados em uma sociedade - ela é também capaz de atribuir sentidos às ordens, e por esta razão deve ser capaz de se reinventar, modelar e mediar conflitos individuais e coletivos. Dessa forma, nada mais justo do que ressaltar conflitos e possíveis soluções dentro de uma cultura. Se sabemos o que é cultura, basta compreender então a sua prática. De que cultura estamos falando? Em qual cultura a nossa juventude se encontra?

Valores morais, intelectuais e a capacidade de totalizar estão também em três grandes importantes esferas: educação, segurança e saúde. A educação carece de conexões entre a escola e a vida. A violência estampada e escancarada em todos os espaços não pede a ausência do conflito, mas clama pelo saber resolver conscientemente. A saúde pede ajuda para sair dos regulamentos e partir para a prática integral, desejando ser um campo capaz de incluir e deixar-se pertencer.

Atualmente muito se fala em educação e saúde integral para o jovem, no entanto, nenhuns desses dois conceitos - ricos em teorias bem sucedidas - comportam a natureza que somente a cultura pode ser capaz de explicar: a noção de que somos gregários, nascemos em um grupo e existimos a partir das relações interpessoais.

Um olhar não somente sobre as carências afetivas e sociais do jovem, mas sobre as forças que dão lugar e sentido para trajetórias de vidas, é essencial para as construções de identidades individuais. Sendo assim, são possíveis transformações em uma sociedade. O jovem carrega em si esse poder transformador, mas mais que isso, também necessita do sentimento de pertencer. Compreender essa ideia é fundamental para um avanço de uma cultura em direção a novas formas de vir a ser no mundo.

Os caminhos rumo a novas construções simbólicas em uma dimensão subjetiva e singular é a base para mudanças de uma sociedade. A juventude é o fomento dessa nova atitude. Borbulhando vontade e perspicácia, ela cria novas perguntas e novas respostas. Onde elas estão? Se manifestam na arte, na rua, na música, na educação, no trabalho, do lar para a comunidade, da comunidade para o lar. E assim, a sociedade educa a si própria sendo imagem e reflexão. A cultura pode fazer emergir um potencial construtivo e analítico nas relações interpessoais, das quais a juventude aspira.

O jovem inserido dentro desse contexto, ou seja, pedindo e ambicionando, daí a considerar, este é o ponto, funciona como o reflexo da sociedade no qual está inscrito. Ao mesmo tempo em que está aprendendo é também sujeito da ação e do saber. Dessa forma, pensar a importância da cultura é fazer revelar potencialidades infinitas de ações.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Homossexualidade: o mito renegado


O sujeito cartesiano, o sujeito da ciência patologiza. Com todo respeito à psicanálise e aos psicanalistas, a peste Freudiana (como ele se referia a sua descoberta) diante da sexualidade, neuroses, perversões e psicose declarou que a bissexualidade é inata e, que deste forma, portanto, o homem se torna heterossexual ou homossexual. Nessa condição, a homossexualidade apareceria como uma condição patológica. Mas será que essa Freud explica?

Jung pouco escreveu sobre o tema da homossexualidade, mas sabemos e muito das suas teorias a respeito do lado feminino e masculino (anima, animus) que atravessam e armadilham o inconsciente. Homem e mulher, dessa forma, carregam consigo a feminilidade e a masculinidade inconsciente e destarte, uma incompletude inata.

A busca pelo sexo oposto, pode ser, então, uma suposição de completude, entretanto, diante da clinica e das tantas manifestações do vir- a ser no mundo, é senão fácil, muito claro compreender que o que completa cada um, pode ser muito diferente.

Já que estamos no terreno das incompletudes, nada mais justo do que pensar nelas como caminho para individuação, e, portanto, pensar na homossexualidade também é reconhecer um caminho trilhado para se chegar em um fim. Se para Freud nascemos bissexuais, para Jung, nascemos incompletos na vasta direção da totalidade.

Existe um mito curioso que pretendo apenas citar. Nele, o ser humano aparece único, feito do lado masculino e feminino, mas que um dia se parte para ser tornar vários deuses, todavia, o ser humano esquece de perceber que por ser homem, é incompleto, não conseguindo então, se manter dividido É no embrião desse mito que parte a idéia do arquétipo do andrógino. Você já viu um andróide? Quem sabe então um andrógino? Aposto que não! Como aposto também que já ouviu falar desses termos!

Essa idéia é tão presente e tão fantasmática que um dia desses, escutei na televisão a nova moda dos salões de beleza: as cabeleiras nem homem, nem mulher, mas com um só conceito: a idéia do cabelo andrógino. O andrógino é justamente essa figura nem homem nem mulher, e talvez por essa mesma razão, seja uma figura estranha, constituída dos dois lados (como citado no mito à cima).

Portanto, se a humanidade já pensou nessa possibilidade de existir no mundo (o andrógino) e se disso já se surgiu um mito, é porque tem uma base arquetípica.

Jung sustentou no arquétipo do andrógino que a homossexualidade é uma possibilidade enfim, livre da patologia, indo ainda mais longe, pode vir fadada de algo saudável, isso se bem integrada no individuo na trilha da alma e do sentido da vida.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Demasiadamente Animus – A Pedra Preciosa



Jung chama de animus a contra parte masculina na psique feminina. Sendo contra parte, ela é sexual, podendo se tornar sombria ou não - ver texto “Lado Sombrio”. O animus está mais perto da consciência, portanto mais próximo da exposição para o mundo. Ele é manifesto em suas atitudes frente ao mundo masculino, diante de seus objetivos e metas pessoais; está ligado à execução, ao transcendente e ao espiritual, daí a considerar que ele vem carregado de suposições, idéias e opiniões.

Após a luta feminista que teve seu inicio desde o século XIX até aos anos atuais, como entender o animus em mulheres ocidentais ao final da primeira década do século XXI?

Se recorrermos aos traços culturais, isso também significa pensar na base arquetípica, a mulher é emersa em um universo sombrio e pouco explorador do mundo. Ela foi educada desde cedo para o cuidar da casa e a adequação da maternagem nos brinquedos infantis com efeito nas bonecas. Indo ainda mais longe, a mulher é se não o próprio lado sombrio do Cristianismo, explico: até onde sabemos, o próprio Corão fora escrito por homens; figuras mais do que mitológicas revestem a sabedoria religiosa aos olhares para a virgem santa (Santa Maria), uma mulher que ficara grávida, apesar de virgem. O corpo da mulher é virgem, ela não poderia ter gozo. Foi a mulher que comeu da maçã proibida, é a mulher que possui o corpo capital (o corpo é um atributo da mulher desde sua origem). Ela é proibida e tem na sua constituição, um lado sombrio e devastador.

Sendo assim, a armadilha está exposta; pergunto, pois, como é estar no mundo dessa forma? Parece-me que a mulher vive em busca de repetir um padrão masculino, valorizando os atributos masculinos e desvalorizando o feminino, como que se criando um animus que pudesse tomar conta da mulher. A masculinidade e a feminilidade são sempre exigidas da mulher, ao passo que do homem se exige apenas a masculinidade.

É uma constatação, senão uma curiosidade, reconhecer o quanto o animus se faz forte e presente nas relações conjugais e nas relações com o corpo. Comecemos pelas relações afetivas homem e mulher: o homem espera que as mulheres depositem as suas pedras mais preciosas, isto é, o animus no casamento. A mulher não só as entregam, como pedem para eles cuidarem. Vejo tantas mulheres no consultório ou mesmo grandes amigas culparem o marido, por exemplo, de não terem estudado e ficarem entediadas em casa cuidando do lar.

E a busca incessante pelo famoso príncipe encantado? Pois saibam amigas leitoras, não é ele que chega como um rasgado de suspiro, em um cavalo branco e madeixas loiras com espadas em um perfume deliciosamente envolvente, é o nosso animus que pode “matar o dragão”, pois é ele que lida com os problemas.
Pois bem, na modernidade do nosso século, e após lutas feministas, as mulheres vivem hoje em um discurso mais ou menos assim: “ora, os homens não servem para nada, para que o tê-los?!” Dessa forma, são então possuídas e infladas pelo animus, distanciando dos seus aspectos mais instintivos.

O que acontece então, quando nos deparamos com uma difusão cultural do culto ao corpo, do silicone, das plásticas, das influências das indústrias pornográficas e comerciais regendo padrões estéticos sobre os corpos femininos? Só para polemizar, o Brasil esta na primeira posição no ranking de paises onde mais se realizam plásticas por ano pois, é também um pais que recebeu grandes influências do cristianismo (vide parágrafos a cima).
Mais uma vez acredito que as mulheres revivem seu animus não pela busca transcendente e espiritual rumo ao conhecimento, efetivamente (característica essencial propulsionadora do animus), mas sim, por essa busca ao corpo perfeito.

Na década de 60 e 70, a mulher queria ser declaradamente e escancaradamente igual ao homem, pois eles tinham o poder; era a era dos cabelos curtinhos, das “sem seios”, das magrelas e quase despersonificadas de curvas Twiggy e Jean Seberg. Gradualmente, após a conquista do então dito “poder”, ou então, uma posição mais favorável nessa busca feminista, hoje se valorizam os “bundões” e “peitões”, sob a forma de um corpo feminino e com curvas, porém, ainda inscritos por uma espécie de tirania ao corpo.

O universo feminino permaneceu no obscuro, sobretudo na desvalorização de produtos que são próprios do feminino, como a função arquetípica da maternidade e seu domínio inefável de comandar uma casa. São próprios das mulheres exercerem a função de liderança e completude nas organizações das casas, inclusive, psíquicas. Parece-me que as mulheres não se apropriaram desse poder transformador do animus, ao contrário, cria uma briga com o poder dos homens, polarizando assim duas tendências: reclamar por não ter direito ou reclamar de ter que fazer tudo feito mulheres “elásticas” em uma batalha solitária que se reflete nos conflitos entre vida maternal e profissional.

Finalizo revelando que esse texto não deve servir de apelo ou resgate aquelas mulheres que cuidavam apenas da casa e dos filhos, mas fazer valer uma reflexão crítica e desafiadora do papel do feminino sob as forças que ligam o eu e o inconsciente, para que assim não ocorra alienação do self, sob um esforço fracassado rumo a pouca consciência.

terça-feira, 30 de março de 2010

Feira das Vaidades: você tem fome do que?


Foi saindo de umas das danceterias mais caras, renomadas de São Paulo e rodeada de pessoas com alto poder aquisitivo (o valor da entrada serve de passaporte para a determinação desse papel), que me deparei com o título desse texto: feira das vaidades.

Tudo lá parecia tão fechado, tão decorado, tão bem arquitetado e tão repleta de cópias, que não me contive em compará-la com capas de revistas, outdoors e propagandas, sobretudo aquelas femininas de beleza (afinal, é da beleza, do encanto e do fascínio, que estamos falando)

O que nos oferece nossa mídia atual? Fome! E é fome de que? É com essa pergunta que me debruço sobre um tema que há tempos venho pensando e estudando.

A beleza de hoje esta marcada pelas dietas, por mulheres magras, pelos cabelos hidratados, das roupas do momento, e, sobretudo do corpo, indo ainda mais longe, ao corpo exposto.

Definitivamente é a vez dele. Não é a toa que os transtornos alimentares e de imagem corporal se fazem cada vez mais presentes nos consultórios de analistas, ou até mesmo, porque não dizer, ganhando cada vez mais seguidores fiéis das Anas e Mias (nossa “amiga” anorexia e bulimia).

Há ainda que se olhar o corpo como rascunho, servindo-se de fio terra, onde passam todos os gozos sob formas de mutilações, “body modification”, os cortes cirúrgicos da plástica e, claro, a grande vitrine que ele se tornou como forma de alcance do aperfeiçoamento social e moral.

“Freguesia, quer um botox aí?!”. “Venha, é baratinho! Olha o siliconeeee aííí!!!!”. “Mulher bonita não paga, mas também não leva, e, portanto, não posa nua Playboy!” “Olha o anabolizante ai gente!!!!”. Nesse ponto, devo considerar a multiplicação frenética de verdadeiras marcas que fazem parte do que somos agora, mas ainda não sabemos nos virar (salve “Paralamas”).

A famosa repercussão do Big Brother, por exemplo, não me deixa escapar desse culto ao corpo – o corpo como vitrine e exposição. O cuidar-se tornou– se um dever moral e o fracasso se deve puro e simplesmente à incapacidade individual.

Creio que a forma do produto é muito mais interessante do que qualquer ingrediente que venha dentro dele. Reparem até mesmo nos estilos de bandas musicais atuais (e nesse ponto devo ser retrógrada) - as bandas de rock, por exemplo, parecem se preocupar muito mais com as franjas lambidas do que com a importância das palavras geniais que se faziam presentes em movimentos ideomáticas, sobretudo, nos anos 70 e 80 no Brasil.

Afinal que fome é essa? Fome de magro? Do nada, do não, daquilo que nutre, do vazio? Ou será justamente ao contrário? É a fome do gordo e da gula? Do tudo, da expressão e exposição do corpo, do carro, do vestido, da bolsa, do passaporte da balada? Me parece que seja os prazeres ou desprazeres da vida, se tornam cada vez mais funilados.

A resposta desse enigma que se conjuga da seguinte forma: “ter é melhor que ser", ainda é difícil de encontrar, enquanto isso, como ser humano que sou e herdeira dos Homo sapiens, (taxonomicamente Homo sapiens - latim: "homem sábio") em terras tupiniquins, penso que na maioria das vezes, quando estamos com fome, a gente come (salvo as “guerreiras” magrelas) e se as frutas do momento viram essa salada do corpo, não somos santos, vamos todos às feiras e provamos sempre desses sabores da vaidade, feito Adão e Eva no jardim do paraíso.